Teste

“Não tenho tido tempo para muitas coisas”. Essa é uma boa frase para se dizer aos outros. Moralmente aceitável, socialmente recompensável, dificilmente questionável. Quem “tem tempo” geralmente é vagabundo. Por isso, o mundo grita com orgulho: “Não temos tempo para muitas coisas!”. Nós, “acadêmicos”, sabemos bem o que é gritar esta frase. Nosso tempo se limita, quando muito, a estas coisas: ler, estudar, fichar, fazer prova, trabalhar, se divertir, ficar, namorar, trepar… fingir. Para fingir, sobra tempo. Quanto mais tempo para isso, melhor. O mundo finge: “Não temos tempo para muitas coisas [as que realmente importam]!”

Nós, “acadêmicos”, fingimos que lemos livros e mais livros, artigos e mais artigos, esquemas e mais esquemas de slides, xerocópias e mais xerocópias. Cumprimos metas e queremos cumpri-las. Um bando de servos voluntários. O conhecimento se reduz ao cronograma disciplinar. O conhecimento se reduz à essência do parágrafo. O mundo se reduz aos “capítulos” que cairão na prova, ou na “aula expositiva dialogada” do dia seguinte, ou no trabalho de conclusão de curso, ou na tese de mestrado/doutorado, ou no projeto a ser apresentado em algum congresso com palcos para os atores-palestrantes, ou na linha/área profissional a ser seguida. Ainda que esses “capítulos” sejam metódicos não-capítulos: aforismos, adendos ou conjuntos de notas explicativas – opa!, não: essas notas não importam. Tudo que importa, na verdade, é o que vale nota. Carimba-se uma medida na tua testa e você, estudante, fica feliz da vida por ter “se livrado” de mais uma. Carimba-se um índice de aprovação no teu cu e você, professor, não dá a mínima, porque tua meta é o doutorado, é a (mais-)pesquisa, é a produção que faz com que o superior não encha seu saco, é a nota produtiva. Fichamos textos para a produção. Lemos somente o suficiente para distribuir um conhecimento parcial do que se leu para a sala de aula ou para os grupos de discussão. “Entendemos tudo”, mas não entendemos nada. Fingimos que tudo isso se chama “estudo”. Um dos significados da palavra estudar é simular. Nada mais adequado. Toda prova é uma simulação, não só as simulações de vestibular. E não há simulação maior nesse sentido que o estudo de p$icologia. O “sujeito” existe aqui ou ali, nessa estrutura ou naquela outra, dependendo de quanta mais-valia a sociedade ganhará-sofrerá com isso. Dizemos que queremos nos entender, ou entender os outros, mas não nos movemos um só centímetro a favor de uma comunicação sincera. Enrolamos: trocamos palavras e gestos sob protocolos livres de incômodo e racionalidade. Fingir é a norma. Fingimos querer usar o conhecimento com “responsabilidade social”, ao passo que não temos nem ao menos posturas pessoais responsáveis. Não temos tempo para isso. É mais fácil não ter.

Fingimos nos divertir. Nossa diversão é distração, afastamento, esquecimento, não é diversão, não é para sermos diversos: é tudo igual, é tudo cópia, é tudo raso. Trabalho × diversão – uma abstração não existe sem a outra, e essa unilateralidade se traveste como oposição. Todos sabemos disso, mas fingimos não saber. As propagandas vão um pouco além desse fingimento: muitas já são bem cínicas há um bom tempo. Mas nós fingimos. Que bizarro é o mundo onde entes mercadológicos tendem a ser mais sinceros que o “sujeito” que acredita tê-los dominado. Nossa diversão se dá segundo o que está em vogue no marketing. Tudo num ritmo muito frenético. Mesmo o ritmo de quem curte assistir a um filme na casa de algum amigo é frenético. A “breja” deixa tudo mais suave e fácil, é verdade – mas ela não destrói a existência do trabalho de amanhã. O ambiente amigável de trabalho/aula ajuda, mas todos sabem que só há colegas, que a amizade valiosa se dá fora dessa esfera, e mesmo esse valor poderia ser questionado, simplesmente porque fora dessa esfera só há outras esferas separadas entre si, antes de mais nada. A razão será sempre a da separação do trabalho, a lentidão e a facilidade terão de ser compensadas. E nós amamos muito tudo isso™, pois nossa recompensa será o salário, a nota acima da média, o reconhecimento do orientador/chefe/papai-mamãe. Nunca a diversão sincera.

Namoramos. Fingimos que temos um relacionamento baseado no amor e na confiança. Esse amor que é tudo, menos livre, e essa confiança que é nada além de imposição. Essa relação que “demanda sacrifícios de ambas as partes”… já se denuncia aí uma tensão sem fim de pessoas-partes que já não querem ser o que “têm” de ser para que a bizarrice-todo chamada de “namoro” se estabeleça. As coleiras – digo, as alianças – servem como aquelas boas, fedidas, ameaçadoras mijadas no que é agora nossa propriedade. Mas essas mijadas não estão bem nesta forma de anel: é na monogamia (admitida ou não) que o repúdio à “traição” bate à porta de todos esses namoros. Traição a quem, mesmo? À outra pessoa-parte do namoro? A traição a si mesmo de aceitar regras indesejadas não conta? Não há traição sem que tenha havido repressão. O que lhe diz o seu coração (símbolo absurdo do amor) nas muitas e inevitáveis horas que ele bate mais forte, trazendo consigo o suor frio e o rubor da pele, quando você, pessoa-parte, se vê em contato com alguém que não é a outra pessoa-parte, mas que você também deseja? “Sacrifique-se, sacrifique-se”? Ou será “Acorde, acorde”?

Mas para que insistir nessas questões, não? Tudo é lindo e tudo é amor, Deus quis™, obrigado e volte sempre – afinal, não há outros caminhos senão o da monogamia! Também não há outros caminhos para o “acadêmico” senão o universitário, assim como não há outros caminhos para o “sujeito” senão o do trabalho remunerado. Muitos namoros começam na universidade ou no ambiente de trabalho. Todos os outros também, indiretamente. Muitos terminam. Muitos terminam em casamento (literalmente). Todos incluem uma trepada: aquele ato, para alguns super amoroso e transcendental, que se constitui em masturbações conjuntas, em diversão, em distração. E certos p$icólogos ainda acham que o problema se dá quando o casal não trepa mais. Ora, qualquer coincidência entre “trabalho × diversão” e “namoro e trepadas” não é mera semelhança. Contudo, para nós que fingimos, tudo isso se trata apenas de coincidências.

Eu também finjo, tanto que, no momento, não tenho saco para me aprofundar nas superficialidades acima. E, tal como acontece com o “acadêmico” em um dia de prova, o “trabalhador” nas horas de diversão e a pessoa-parte nos anos de namoro… toda e qualquer reflexão sobre a Vida pode se perder no pouco tempo que temos para “viver”.

OBS.

Published in:  on Thursday, February 14, 2008 at 21:44 Leave a Comment

Apelo ingênuo aos que se fisgaram com o anzol do mundo

    É possível observar que basta haver um contato só um pouco mais direto com as relações de trabalho que o risco de se submeter de bom grado à quebra de todo e qualquer posicionamento de resistência a essa escravidão aumenta exponencialmente. Nesse caso, na verdade, não se trata de um risco, mas de uma predisposição já antiga ao discurso da maioria, que se vela de acordo com o que convém para uma convivência livre de questões incômodas.

    No trajeto final do bacharelado em p$icologia, se isso já parecia estar claro antes, agora as evidências gritam. Não sou tão ingênuo a ponto de achar que a postura questionadora de várias pessoas quanto ao curso e às práticas p$icológicas lhes daria subsídios suficientes para que se dispusessem a resistir na hora H, na hora em que acreditassem (não deveriam acreditar) que precisam tomar decisões quanto ao que fazer com a própria vida no mundo adulto e monetário. Isso não acontece. O discurso do futuro estável vem com força, chuta o seu cu, joga cimento em volta de qualquer linha de raciocínio que até então remava nas águas agitadas do seu questionamento. Uma indicação aí, um estagiozinho aqui, um empreguinho ali, uma experienciazinha acolá, uma estabilidadezinha cá – um tapinha nas costas vindo das figuras paternas e logo se está pronto para o casamento e os filhos, o escritório/clínica/bolha e a espera religiosamente mensal e eterna por um salário que pague as contas intermináveis do próprio desejo flagelado.

    Nada disso é surpresa, tampouco exagero, ainda que eu escolha falar sobre isso num tom catastrófico. O trabalho abstrato nos puxa. É extremamente difícil livrar-se dele, se é que é possível. O discurso fascista nos puxa. E puxa. Puxa. PUXA. Para baixo, para cima, para todos os sentidos, todas as direções – pois ele é líquido. Não: não se trata de um “ele”, de uma entidade. Não somos puxados por porra nenhuma. Nos levamos, nós mesmos. Com o bom humor típico de um escravo reacionário. O trabalho somos nós.

    Nada disso é surpresa. Basta acordar e se deparar com a violência do despertador que você mesmo configurou, e aí estará você, rumo à indústria da vida. Basta captar o discurso que se segue logo após o “bom dia” protocolar das pessoas que vivem com você, e o valor-dinheiro-trabalho estará presente até na frase mais descompromissada. Também nas suas respostas, tão vivas quanto a inércia. Basta notar quando a tua crítica a qualquer irracionalidade decorrente das relações de trabalho só se manifesta em condições normais de temperatura e pressão. No caso da p$icologia, basta notar quando tudo muda de figura agora que as experiências na clínica finalmente chegaram: a roupagem crítica se assume como simples roupa que é, e é trocada por trajes, costumes, linguagens e predisposições que estejam perfeitamente compatíveis com a “imagem do p$icólogo”, devidamente socializada, aceita, em voga, estável, paralisada, mentirosa, hipócrita.

    Quem é você agora? Quem era você até então? Essas são perguntas que, a essa altura, essas pessoas já ignoram ou só respondem com o uso de um cartão de crédito; afinal, entraram oficial e orgulhosamente no jogo do futuro estável, cujas proibições incluem a da autonomia.

    “Essas pessoas” – eu, você, nós, pouco importa. Há sujeitos aqui?

    O que importa é que você dê mais importância à sinceridade consigo mesmo, com o que deseja, com o que se faz desejar, com o que seu corpo demanda (dualismos à parte); baixar a bola da armadilha que é o discurso sobre o “futuro”, baixar a bola da procura pelo que se acredita que é faltante; admitir que nada disso é o que você realmente quer que sua vida seja nesse exato momento; agir contra essas neuroses nas entranhas de toda e qualquer relação da qual você faça parte, de todas as formas possíveis e imagináveis, sejam elas graduais ou imediatas, contraditórias ou não, fragmentadas ou não (estas são condições irrelevantes quando há a disposição para criar). Não se trata de cobrar algo de si, mas de sempre dar prioridade ao movimento da sua vida.

    Não é uma solução. Não há respostas, nem pretensões. Não há *ismos que prestem aqui. É mais um discurso. Aproveite-o e dê a ele as suas ramificações.

Published in:  on Wednesday, February 13, 2008 at 1:29 Comments (4)

Pós-P

Agora noto que o esquema do P está equivocado. Sem dúvida há também uma camada F/M que está fora da espiral e que a bloqueia, e que empurra o boneco para trás e para fora.

Published in:  on Saturday, December 1, 2007 at 12:13 Comments (2)

Sobre o novo subtítulo

Já não se trata mais dos bloqueios da oralidade, mas de alguma outra coisa que não sei dizer bem o que é.

Published in:  on at 11:47 Leave a Comment

Impressões não desenvolvidas sobre o suicídio

O que é o risco do suicídio para alguém que escolhe encará-lo?
Nada além da vida.

Esquecemos ou não entendemos Nietzsche, engolimos as categorias estruturalistas de Durkheim (suicídio egoísta, altruísta, principalmente o anômico), da mesma forma que engolimos o mal-estar estrutural (“necessário”…!) da civilização de Freud. E não paramos nos dois: de lá para cá, o assunto só piorou.

O problema do “risco de suicídio” é uma irracionalidade tamanha, que serve mais para legitimar a imposição doente de limites à vida que qualquer outra coisa. O medo do suicídio – o medo da morte – é um dos movimentos da ode ao conforto, que se traduz em um réquiem para a morte em vida.

Fugir dos riscos de suicídio para se lançar ao trânsito assassino de carros? Não sair de casa e morrer para a TV?
Por que se impor um futuro? Por que planejar sua vida para que ela atinja um alto número de anos confortáveis? Vida longa à vida morta?

E todo mundo se pergunta se o melhor é viver uma Vida que talvez seja levada ao suicídio (uma vida em potência, liberta… sem confundir isto com hedonismo) ou uma vida confortável de muitos anos, aposentadoria, dinheiro em caixa para a família e angústia existencial. E há como afirmar que essa pergunta não seja perfeitamente cabível para nós, defuntos, sem que se esteja terrivelmente enganado?

A vida é o acontecimento, não é o futuro mortal. Como viver, enquanto se está preocupado com um momento inerte na abstração do tempo futuro? Esta é uma paralisia, um loop infinito dos mais neuróticos.
Essa vida paralisada pela morte, não por simples coincidência, é também a vida paralisada pelo desejo mediado pelo valor, o desejo da psicanálise freudiana, o desejo que pára numa sociedade octogenária que busca a falta em tudo.

Que potência tem essa vida? Se tudo o que se quer sinceramente fazer deve ser abandonado em frente ao risco da frustração, da angústia, da anomia e do suicídio?

Se o suicídio se tornar um risco cada vez maior no caminho de fazer acontecer sua potência em vida, o que há para ser feito senão insistir nesse caminho? Pois não haveria pior escolha a ser feita, nesse caso, que a de negar as potencialidades em função da adequação a um medo social da morte.
Este medo não é, ele mesmo, a nossa angústia fundamental?

O suicídio é um fenômeno que precisa ser visto com olhos mais sinceros. Deixamos de viver uma vida por medo da morte. O suicídio faz nos lembrarmos desse fato – ele nos afronta com esse fato… porque nós criamos o problema da morte. Mas não haverá risco algum desse demônio-suicídio-morte em meio à (re)criação da vida em potência.

 

OBS.: Pensamentos surgidos depois de uma conversa sobre o que fazer no futuro, na qual foi sugerido que eu buscasse encontrar um lugar, evitar a angústia de uma possível anomia… evitar as potencialidades e abraçar a quase-inércia institucional…

Published in:  on at 9:22 Comments (7)

Chega

Escrever tem sido cada vez mais difícil, assim como todas as outras coisas.
Silêncio. Chega.

(Impossível…)

Pausa por enquanto, ao menos por aqui.

Published in:  on Thursday, October 18, 2007 at 5:15 Comments (8)

Psi

Psi

(Clique na imagem)

Published in:  on Wednesday, October 17, 2007 at 0:12 Leave a Comment

Palavras de dois gumes

[Modificado no dia 09, terça-feira]

O teatro, assim como a palavra, tem necessidade de ser deixado livre.
A obstinação em fazer que as personagens dialoguem sobre sentimentos, paixões, apetites e impulsos de ordem estritamente psicológica, em que uma palavra substitui inúmeras mímicas, uma vez que estamos no domínio da precisão, foi por causa dessa obstinação que o teatro perdeu sua verdadeira razão de ser e que estamos desejando um silêncio em que possamos ouvir melhor a vida. É no diálogo que a psicologia ocidental se expressa; e a obsessão com a palavra clara que diga tudo leva ao ressecamento das palavras.
[...]
Mas, se voltarmos, por pouco que seja, às fontes respiratórias, plásticas, ativas da linguagem, se relacionarmos as palavras aos movimentos físicos que lhes deram origem, se o aspecto lógico e discursivo da palavra desaparecer sob seu aspecto físico e afetivo, isto é, se as palavras em vez de serem consideradas apenas pelo que dizem gramaticalmente falando forem ouvidas sob seu ângulo sonoro, forem percebidas como movimentos, e se esses movimentos forem assimilados a outros movimentos diretos e simples tal como os temos em todas as circunstâncias da vida e como os autores não os têm suficientes em cena, a linguagem da literatura se recomporá, se tornará viva; e ao lado disso, como nas telas de alguns velhos pintores, os próprios objetos começarão a falar.

(Artaud, O teatro e seu duplo, quarta carta sobre a linguagem)

Aí pode estar uma rachadura da proposta de sempre expor e negar a neurose… a exposição e a negação não deveriam se limitar às palavras. Ainda assim, estas são necessárias. Mas ainda não percebi a linha entre a necessidade e o exagero. Para mim é claro que a negatividade vale por si só (não por seus resultados esperados), e que ela não consiste apenas em um bando de discussões sobre relacionamentos, mas sim em criar diferenças a partir dos atos – que incluem o diálogo –, reconhecer os movimentos que até então só têm sido congelados. O problema, talvez, seja o de ainda escolher a palavra entre os milhares de atos possíveis. No final das contas, existe uma primazia do diálogo. Mas talvez isso não seja um problema quando o uso do diálogo serve a algo maior que ele, maior que os relacionamentos de novelinha: a postura negativa e criativa. Assim, a palavra foge do fechamento em si mesma, e isso é precisamente o que faz com que ela seja livre (sem ser ignorada), com que ela não se resseque.

Mas essa é uma hipótese que precisa ser mais pensada e – pasmem, que contradição – sentida. Ou, ainda antes, a própria pergunta que a originou.

Published in:  on Sunday, October 7, 2007 at 21:40 Comments (1)

Ao crítico que não se apropria de suas potencialidades

Você olha para os acontecimentos, mas não quer olhar para a tua posição em meio a eles. Você só se aprofunda em abstrações seguras. Você se varre para debaixo do tapete-crítica. E aí embaixo há tanta pressão que você observa e aceita para si, tanta repressão consentida… mas você está coberto! Acaba se anulando, se diminuindo, e acredita ingenuamente que aos poucos faz o contrário. Cultiva pressões em si, para si, e engana-se em relação a estas com a crítica a pressões mais abstratas: as dos relacionamentos, da universidade, da sociedade, de todos os *entos, *ades e *ismos que te salvam do problema aterrorizante de ser um de seus focos de crítica. Uma expansão de idéias que serve à decisão de ignorar a implosão que acontece em você. Seja sincero consigo mesmo. Não é à tôa que você se irrita cada vez mais, se chateia cada vez mais, morre cada vez mais: não são apenas as pressões “lá fora” que poderiam cessar, não é apenas a desgraça que está acontecendo e se fortalecendo; é também você cedendo já demais, é você sabendo que pode agir de outras formas, é você se escondendo em sua postura que se diz crítica. Não é à tôa. Não é à tôa que você se fecha: com tanta pressão a que você se submete compulsivamente (e que portanto também cria), é risível acreditar que isso não daria na mais profunda merda do ser que se abre no discurso, mas se fecha perante os acontecimentos. Não é à tôa que vêm a você (e de você) julgamentos ridículos como “você pensa demais…“. Pelo contrário: no final das contas, você pensa pouco, pouco demais, e inevitavelmente age na quantidade e na qualidade inversamente proporcionais em relação a quanto e como poderia agir. Você faz merdas quando poderia não fazê-las, quando tem todas as condições para não fazê-las.

E não se engane, nem se esqueça: a sua situação não é única, mas ainda assim é uma delas.

Published in:  on Tuesday, October 2, 2007 at 16:36 Comments (4)