A cada um dos meus retornos a essa prática de nome infeliz, o processo parece ser mais claro.
Se há muito tempo eu considero o blog como um afastador de pessoas disfarçado de aproximador (o instrumento máximo para o pior uso da internet), de uns tempos para cá já o considero também como um organizador de ideário (por falta de uma expressão melhor). Ora, talvez desde o meu primeiro blog eu já soubesse que organizaria minhas idéias por meio dele; mas as idéias mudam. Juntamente com elas, tanto a noção de “organização” quanto a sua importância mudaram de lá para cá.
Já que antes a ênfase do “blogar” estava quase totalmente em um apelo catártico, um apelo – raramente assumido – por atenção (fosse ela dos leitores reais ou dos imaginários), a organização das idéias não valia tanto a pena. Para que se comprometer com o que foi vomitado, se o que importa, o que resta, é que esse vômito seja reconhecido e lambido (porque o apelo era nojento, mesmo) por outras pessoas?
Caso tenha existido mesmo uma organização de idéias, ela se consistiu no ato consciente de dirigi-las ao espaço público socialmente (infelizmente) aceitável que foi (ou ainda é?) a comunidade crescente de ego-blogs. Ou seja, eu decidi que não sairia escrevendo em paredes de banheiros públicos inundados de mijo, nem nas paredes do meu quarto, nem em cadernos, nem no Notepad, nem na minha testa, nem na derme dos meus pulsos… porque nada disso era tão cool quanto publicar um blog. Escolhi um espaço específico e tive motivações específicas para vomitar o que pensava. À estruturação dessa escolha alguns profissionais rotuladores chamam de Adolescência; eu não a chamaria de bosta alguma, pois não sou psicólogo.
Quando percebi mais tarde que vômito algum era lambido, mas sim que tudo passava a ser perfumado pelos outros e por mim… caí em negação, caguei, apaguei tudo, mandei tudo à merda. Quando percebi a negação, voltei a querer ser cool com novos blogs. Afinal, devemos negar a negação, não é? E assim começou um ciclo, uma bola de neve que pretendo encerrar aqui. Porque agora o que penso sobre “organizar minhas idéias” tem outro sentido, de maior importância.
Tenho muitas idéias, mas quase todas se perdem no contato com os outros. Tenho tentado superar esse problema. De todos os ambientes, o acadêmico é o que mais tem me mostrado que eu quero e preciso me expressar melhor, que o vômito catártico precisa dar mais lugar à comunicação. No entanto, ao mesmo tempo que o ambiente acadêmico me mostra isso, também tem sido lá que minhas idéias têm se perdido mais e mais, talvez porque eu ainda insista mais em bloquear o vômito do que em me comunicar de fato.
Há pouco tempo atrás, falando para um amigo sobre essas idéias que eu perdia durante certas discussões, ele sugeriu que eu escrevesse o que passasse pela cabeça na hora que surgissem tais idéias, a fim de organizá-las para que eu pudesse falar delas quando pudesse. Foi algo que já havia sido sugerido a mim diversas vezes, mas que até então eu nunca havia levado a sério (talvez por achar que conseguiria resolver o problema sem precisar de artifícios como esse, como se eu fosse fodão o suficiente para nunca dar passos para trás rumo a uma onipotência). Pois bem, resolvi levar a sério dessa vez; já é rotina para mim experimentar e cutucar os preconceitos que tenho de mim mesmo.
Fiz o que foi sugerido algumas vezes e isso realmente me ajudou, mas isso não é relevante aqui. O que importa é que de novo eu estava usando a escrita, mas desta vez para tentar me comunicar de fato. Ora, isso mudou a perspectiva de muitas coisas, inclusive em relação aos blogs. Se eu consegui escrever num papel para organizar as idéias, certamente eu posso fazer o mesmo em um blog. Só o fato de eu pensar assim já configura uma nova situação, pois antes a questão era só esperar por línguas alheias para os meus vômitos (eu insisto nas nojeiras), restritos ao espaço blogueiro cool ou à balada gótica mais próxima. Já agora posso falar sobre muito mais assuntos que antes, da forma mais lenta, chata, pedante (por que não?), incompreensível que for; ou da forma mais superficial, boba, compreensível; ou esquemática, ou lírica, ou escrota e nojenta… Sem muitas censuras, contanto que com isso eu organize o que penso e possa utilizar os resultados em outros espaços. E se eu conseguir organizar tudo e, de quebra, me comunicar também pela forma escrita, melhor ainda.
Confio nessa nova possibilidade, mas também assumo o risco de ser possível, por outro lado, que todo esse blá-blá-blá seja apenas mais um giro de 360° da bola de neve blogueira. É claro que ainda tenho essa coisa de querer falar de mim – vide o número de “eus” que tem neste texto. Não me livro disso tão facilmente, sou arrogante e ainda preciso quebrar mais ovos nessa área. É um risco aceitável – o dia que eu estiver livre das contradições aparentes, estarei morto.
É tudo isso que o subtítulo deste blog tenta explicar. Quanto ao título, fica para outra vez.
No mais, que se preparem para textos gigantes grandes os preparados e as preparadas. Isso aqui não é funk.
ahhh essa producao de poetas de 15 anos…!
IUFAEHOEFAIHOFEAIHOIFEAHOAIFE
Esse wordpress foi feito pra eles… assim como a calça jeans rasgada… ajshbsh